segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Alimentos Orgânicos e Agroecológicos – 2ª parte


O Que é o Produto Orgânico?

Produto orgânico é todo produto, animal ou vegetal, obtido sem a utilização de produtos químicos ou de hormônios sintéticos que favoreçam o seu crescimento de forma não natural. O solo é à base do trabalho orgânico. No caso do vegetal, o solo deixa de ser um mero suporte para a planta, tornando-se sua fonte de nutrição, livre de produtos agrotóxicos, pesticidas, adubos químicos ou sementes transgênicas. No caso dos animais, sua criação é feita sem o uso de hormônios de crescimento, anabolizantes ou outras drogas como os antibióticos.
A grande vantagem disso, além da produção de alimentos mais saudáveis e naturais, é que, com a preservação do solo, que fica mais fértil e livre de toxicidades, a produção orgânica permite um manejo sustentável do meio ambiente de forma equilibrada, facilitando a preservação e a harmonia de todos os elementos da natureza entre si e garantindo a saúde do homem.
Principais produtos orgânicos produzidos no Brasil: cana de açúcar e rapadura orgânicas; grãos como soja, cacau, arroz, café; gengibre, guaraná; frutas como manga, morango, uva, pêssego, citros, banana; tomate e legumes. Também néctares e sucos de frutas, geléias e cosméticos.
 
Proposta Agroecológica
A agroecologia consiste em uma proposta alternativa de agricultura familiar socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável. O termo pode ser entendido de diversas formas: como ciência, como movimento e como prática. Nesse sentido, a agroecologia não existe isoladamente, mas é uma ciência integradora que agrega conhecimentos de outras ciências, além de agregar também saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares, de comunidades indígenas e camponesas.
Em sentido mais estrito, a agroecologia pode ser vista como uma abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza. Dentro delas se destaca a sucessão natural, a qual permite que se restaure a fertilidade do solo sem o uso de fertilizantes minerais e que se cultive sem uso de agrotóxicos.
Segundo a pesquisadora Ivani Guterres a abordagem agroecológica propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção. Na base dessa mudança está a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas, uma produção com e não contra a natureza. Propõe, portanto, novas formas de apropriação dos recursos naturais que devem se materializar em estratégias e tecnologias condizentes com a Filosofia-Base.
A pesquisadora brasileira em agroecologia, Ana Maria Primavesi, reforça o laço que deve existir entre o fazer agroecológico e o saber tradicional e popular, ao afirmar que a Ecologia se refere ao sistema natural de cada local, envolvendo o solo, o clima, os seres vivos, bem como as inter-relações entre esses três componentes. Trabalhar ecologicamente significa manejar os recursos naturais respeitando a teia da vida. Sempre que os manejos agrícolas são realizados conforme as características locais do ambiente, alterando-as o mínimo possível, o potencial natural dos solos é aproveitado. Por essa razão, a Agroecologia depende muito da sabedoria de cada agricultor desenvolvida a partir de suas experiências e observações locais.
 
 

Alimentos Orgânicos e Agroecológicos – 1ª parte


Para uma alimentação complementar saudável é recomendável à utilização preferencial de alimentos sem agrotóxicos e hormônios. É oportuno esclarecer sobre o uso de agrotóxicos e da opção pelos alimentos orgânicos e agroecológicos. A nomenclatura correta é agrotóxico ou pesticida e não “defensivo agrícola”.
O nível de resíduos químicos contido nos alimentos comercializados no Brasil é muito preocupante e requer providências imediatas devido aos sérios impactos que gera na saúde da população.
Os limites ‘aceitáveis’ em nosso país em geral são superiores àqueles permitidos na Europa, isso para não dizer que aqui ainda se usam produtos já proibidos em quase todo o mundo.
Os agrotóxicos fazem muito mal à saúde e há estudos científicos importantes que demonstram esse fato. Existem dois grandes grupos de impactos sobre a saúde:
1º - Intoxicações agudas, que se manifestam logo após a exposição ao agrotóxico, de período curto, mas de concentração elevada.
2º - Intoxicações crônicas, com manifestação em longo prazo e efeitos ampliados.

Neste grande grupo de impacto destacam-se:
- Interferentes endócrinos, alguns agrotóxicos se comportam de modo semelhante aos hormônios femininos ou masculinos dentro do nosso corpo, desencadeando uma série de alterações, inclusive má formação congênita e aborto.
- Ação carcinogênica, desencadeando leucemias, linfomas e câncer de tireóide e mama.
- Alterações hepáticas, a maioria dos agrotóxicos é metabolizada no fígado.
- Alterações renais e neurocomportamentais.

 O relatório final da subcomissão da Câmara dos Deputados aponta situações reais observadas em cidades brasileiras. Por exemplo, a cidade de Unaí (MG) com alta concentração do agronegócio, há ocorrências de 1.260 novos casos da doença por ano para cada 100 mil habitantes, quando a incidência média mundial encontra-se em 600 casos por 100 mil habitantes no mesmo período.
A única maneira de ficar livre dos agrotóxicos é consumir alimentos orgânicos e agroecológicos. Os resíduos do veneno continuarão presentes e serão ingeridos durante as refeições, mesmo lavando os alimentos contaminados com água e sabão ou mergulhá-los em solução de água sanitária ou, ainda, cozinhá-los. Além disso, é importante lembrar que o uso exagerado de agrotóxicos também faz com que estes resíduos estejam presentes nos alimentos já industrializados, portanto, a melhor forma de não consumir alimentos com pesticidas, é eliminar a sua utilização.

Dicas importantes para reduzir a quantidade de agrotóxicos na superfície dos alimentos:

1-       Resfrie primeiramente as frutas e verduras na geladeira e só lave-as posteriormente.
2-       Deixe os alimentos de molho em água com bicarbonato de sódio por 40 minutos (1 colher de sopa para cada litro).
3-        A cidade de Bauru já possui uma FEIRA AGROECOLÓGICA que é realizada todas as quintas-feiras, das 16h às 20h na quadra 01 da Rua Fuás de Matos Sabino (próximo Av. Getúlio Vargas – atrás do posto Himalaia)
4-  Alimentos campeões por contaminação de agrotóxicos:
 - Produtos fora de clima: tomate, batatinha, morango, uva Itália e maçã.
 - Produtos fora de época: TODOS!

 Referências Bibliográficas: www.contraosagrotoxicos.org,

Alimentação da criança - DESMAME


Alimentação da criança

Anexo IV: Desmame.

O homem é o único mamífero em que o desmame (definido como cessação do aleitamento materno), não é determinado somente por fatores genéticos e pelo instinto. Hoje, ao contrário do que ocorreu ao longo da evolução da espécie humana, a mulher opta (ou não) pela amamentação e decide por quanto tempo ela vai (ou pode) amamentar.
O desmame não é um evento, e sim um processo que faz parte da evolução da mulher como mãe e do desenvolvimento da criança, e deve ocorrer naturalmente, na medida em que a criança vai adquirindo competências para tal.
No desmame natural a criança se autodesmama, o que pode ocorrer em diferentes idades, em média entre dois e quatro anos e raramente antes de um ano. Costuma ser gradual, mas às vezes pode ser súbito, como, por exemplo, em uma nova gravidez da mãe (a criança pode estranhar o gosto do leite, que se altera, e o volume, que diminui).
A mãe participa ativamente no processo, sugerindo passos quando a criança estiver pronta para aceitá-los e impondo limites adequados à idade. Os sinais indicativos de que a criança está madura para o desmame são:

ü  Idade maior de um ano;

ü  Menos interesse nas mamadas;

ü  Aceita variedade de outros alimentos;

ü  É segura na sua relação com a mãe;

ü  Aceita outras formas de consolo;

ü  Aceita não ser amamentadas em certas ocasiões e locais;

ü  Às vezes dorme sem mamar no peito;

ü  Mostra pouca ansiedade quando encorajada a não amamentar;

ü  Às vezes prefere brincar ou fazer outra atividade com a mãe em vez de mamar.

O desmame natural proporciona uma transição mais tranqüila, menos estressante para a mãe e para a criança (fisiológica, imunológica e psicológica), até ela estar madura para tal e, teoricamente, fortalece a relação mãe-filho.
O desmame abrupto deve ser desencorajado, pois se a criança não está pronta, ela pode se sentir rejeitado pela mãe, gerando insegurança e, muitas vezes rebeldia. Na mãe, o desmame abrupto pode precipitar ingurgitamento mamário, estase do leite e mastite, além de tristeza e depressão.
Quando o profissional de saúde se depara com a situação de a mulher querer ou tiver que desmamar antes de a criança estar pronta, é importante, em primeiro lugar, que ele respeite o desejo da mãe e apóie esse processo. Entre os fatores que facilitam o processo de desmame, encontram-se os seguintes:

·         Mãe estar segura de que quer (ou deve) desmamar;

·         Entendimento da mãe de que o processo pode ser lento e demandar energia, tanto maior quanto menos pronta estiver a criança;

·         Flexibilidade, pois o curso do processo é imprevisível;

·         Paciência (dar tempo à criança) e compreensão;

·         Suporte e atenção adicionais à criança, devendo a mãe evitar se afastar nesse período;

·         Ausência de outras mudanças, ocorrendo por exemplo, controle dos esfincters, separações, mudanças de residências, entre outras;

·         Sempre que possível, fazer o desmame gradual, retirando uma mamada do dia a cada uma a duas semanas.

Concluindo, cabe a cada dupla mãe/bebê e sua família a decisão de manter a amamentação, até que a criança abandone espontaneamente, ou interrompê-la em um determinado momento. Muitos são os fatores envolvidos nessa decisão: circunstanciais, sociais, econômicos e culturais. Cabe ao profissional de saúde ouvir a mãe e ajudá-la a tomar uma decisão, pesando os prós e os contras.
 
Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília, 2009.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alimentação da criança

Alimentação da criança

Anexo IV: Desnutrição.

Crianças com desnutrição entre 10 e 24 meses é um quadro muito comum no atendimento básico de saúde. Muitas vezes essa situação não reflete a falta absoluta de comida no domicílio, mas erros nas práticas alimentares. O profissional pode certificar-se disso observando a condição nutricional materna. Se esta apresenta-se eutrófica ou até mesmo com sobrepeso, deduz-se que há disponibilidade de alimentos, mesmo que seja quantitativa, pois se há garantia do suprimento energético à criança, os prejuízos no crescimento serão muito menores.
  • É importante considerar que a criança que se mantém com peso baixo para a sua estatura por período prolongado, futuramente apresentará comprometimento na estatura. Essa situação é chamada de adaptação biológica da desnutrição. O diagnóstico da desnutrição ou baixo peso deve ser feito de forma que o profissional reconheça se a criança está\ apresentando ou não os depósitos de gordura necessários ao crescimento. A recuperação nutricional implica o consumo predominantemente de energia, mas também de proteína. Essa intervenção requer conhecimento prévio e detalhado do hábito alimentar, assim é possível descobrir a causa e corrigi-la. O aumento da densidade energética é mais eficaz, já que a criança pequena e de baixo peso apresenta o volume gástrico bastante comprometido.
  • A adição de óleo vegetal na porção de alimento habitualmente oferecido à criança permite o aumento da densidade energética da dieta.
  • Oferecer frutas e verduras permite o aumento da ingestão de vitaminas e sais minerais, necessários à recuperação do crescimento da criança desnutrida.
Conduta para prevenção da desnutrição:
  • Orientar quanto a utilização dos alimentos saudáveis que fazem parte do hábito da família. Não é necessária a utilização de alimentos especiais ou alternativos;
  • Oferecer leite puro no copo sem adição de farinhas;
  • Oferecer duas frutas ao dia, segundo a diversidade regional, safra e de preferência livre de agrotóxico;
  • Orientar a mãe a oferecer alimentação saudável da família;
  • Acrescentar 1 colher de sopa de óleo sobre a porção servida para a criança, no almoço e no jantar.
  • Oferecer volumes menores e aumentar a freqüência das refeições ao dia.
Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília, 2009.

Alimentação da criança


Anexo IV: Constipação Intestinal.

·         A constipação intestinal crônica funcional está presente em 25% das crianças menores de 2 anos. Já foi demonstrado que a criança amamentada exclusivamente por no mínimo seis meses é protegida contra esse problema.
  • A introdução precoce de alimentos (antes dos 6 meses) é o principal fator determinante de constipação em crianças pequenas.
  • Outro aspecto importante é a criança que apresenta uma alimentação predominantemente láctea, isto é, as refeições e lanches são parcialmente substituídos por leite ou por seus produtos.
  • Esse procedimento pode assegurar a quantidade de calorias e proteína de que a criança necessita, porém, não favorece a ingestão adequada de fibra e de volume de alimentos, dificultando o trânsito intestinal.
  • A pouca ingestão de água também pode ser um aspecto importante, já que é comum a oferta de refrigerantes, refrescos e sucos para substituí-la. Nesse caso o efeito não é tão eficaz pela diferença de osmolalidade desses líquidos.
  • A recomendação de fibra alimentar para criança menor de 2 anos ainda não foi estabelecida, porém há a sugestão de que a criança receba em torno de 5g por dia. A partir de 2 anos, a quantidade de fibra alimentar deve seguir a seguinte regra: idade + cinco. Essa quantidade é facilmente ultrapassada quando os dez passos para alimentação saudável são cumpridos.

Exemplos do conteúdo de fibra de alguns alimentos:
Feijão (2 colher sopa) – 2g
Vagem (2 c. sopa) – 2g
Aveia (1 c. sopa) – 2g
Batata (1 unidade Média) – 2,5g
Mamão (1 fatia) – 2g
Manga (1 un. Média) – 2g
Aipim/Mandioca/Macaxeira (2 c. sopa) – 2,5g
Maça (1 un. Pequena) – 2g

Como pode ser observado não é difícil garantir a quantidade de fibra alimentar recomendada para a criança pequena.

Conduta para prevenção da constipação intestinal:
  • Evitar o uso de farinhas, e de biscoitos doces, substituindo-os por cereais integrais e frutas com tendências laxantes.
  • Oferecer pelo menos duas frutas por dia, da época de safra e de preferência livre de agrotóxicos. O mamão e o abacate podem ser boas opções.
  • Observar o comportamento intestinal da criança ao escolher os alimentos que serão oferecidos.
  • Orientar ingestão de água tratada, filtrada e fervida, no mínimo 400ml (divididos em quatro vezes ao dia).
  • Organizar os horários, aumentando o intervalo antes das principais refeições para que a criança consuma maior volume de alimentos, o que vai favorecer o estímulo gastro-cólico do peristaltismo intestinal.
  • Introduzir verduras e legumes cozidos gradativamente, misturando aos outros alimentos mais aceitos, para que a criança possa tolerar o aumento da fibra na alimentação.
  • Evitar de rotina o uso de laxantes, mesmo que sejam considerados “naturais” pois, acabam prejudicando a flora intestinal natural e não regularizam os movimentos peristálticos.
Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alimentação da criança - Anexo IV

Práticas alimentares que previnem a anemia

·         Ao introduzir a partir dos seis meses os alimentos complementares é necessário oferecer pequenas porções de carne (50 a 100g por dia). O ferro do leite materno é absorvido em menor quantidade com a introdução de outros alimentos e somente as carnes possuem ferro heme que é melhor absorvido.
  • Os alimentos que contêm ferro como a beterraba, o feijão, verduras verdes e ovos não são boas fontes a não ser que sejam consumidos com alimentos ricos em vitamina C.
  • Oferecer uma fruta rica em vitamina C (ex.: laranja, goiaba, abacaxi, mexírica, tangerina, acerola, limão) após as refeições principais (almoço e jantar).
  • O consumo excessivo de leite de vaca está associado à anemia entre crianças menores de 2 anos. O consumo deve ser limitado a 500ml por dia a partir dos seis meses até dois anos de vida.
  • Estimular o consumo de miúdos ou vísceras, de preferência livres de agrotóxicos e hormônios (especialmente fígado) no mínimo uma vez na semana (50 a 100g por semana). Essa prática é simples, barata e fornece grandes quantidades de ferro.
  • Garantir duas refeições principais (almoço e jantar) ao dia. Se a criança não quiser a refeição, essa não deve ser substituída por lanches ou refeições lácteas.
  • Orientar a mãe para oferecer a refeição mais tarde e não oferecer uma bebida láctea em substituição a refeição recusada.
  • O uso de lanches ou refeições lácteas em substituição à comida (almoço e ou jantar) aumenta o risco de anemia.

Programa de Prevenção à Anemia:
  • O Programa Nacional de Suplementação de Ferro consiste na suplementação medicamentosa de sulfato ferroso para todas as crianças de 6 meses a 18 meses de idade. Os suplementos de ferro são distribuídos, gratuitamente, nas Unidades Básicas de saúde (Rede SUS) com o objetivo de controlar a anemia no país.
  • Mais informações podem ser obtidas na publicação Manual Operacional do Programa Nacional de Suplementação de Ferro e no Caderno de Atenção Básica intitulado Carências de Micronutrientes, disponíveis no http://nutricao.saude.gov.br/
  • E desde 18 de junho de 2004, todas as farinhas de trigo e milho comercializadas no país saem da fábrica enriquecida com ferro. A determinação é da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por resolução RDC nº 344.

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Apoio paterno ao Aleitamento Materno


A mulher no ciclo gravídico puerperal necessita de apoio social, profissional e familiar, sendo este imprescindível para o sucesso do aleitamento materno.
            O pai como principal suporte dessa rede de apoio, exerce uma forte influência na decisão da mulher em amamentar e na sua continuidade.
            O homem tem atuado cada vez mais em seu papel de pai, acompanha sua companheira aos serviços de saúde e busca conhecimento a fim de apoiá-la da melhor forma. Em contrapartida, os profissionais de saúde não têm se capacitado para recebê-los na mesma proporção. Durante a graduação, os temas abordados relativos ao aleitamento ainda são, primordialmente, sobre técnica, manejo da amamentação e composição do leite materno, marginalizando os aspectos psicológicos e a inclusão paterna.
            Apesar de todas as mudanças em busca da inclusão do homem, este ainda encontra dificuldades para compreender as transformações que ocorrem com as mulheres no decorrer de suas vidas, verdade esta observada e confirmada no cotidiano da assistência.
            Quanto à ajuda familiar, destacam-se como entes mais próximos: a mãe da puérpera e o pai do recém-nascido. O apoio paterno é um importante aliado do aleitamento. O homem, enquanto pai e companheiro devem participar da saúde integral da mulher e da criança.


Referência Bibliografica:
Apoio paterno ao aleitamento materno: uma revisão integrativa. Revista Paulista Pediatria, 2012, 30(1):122-30.

Alimentação da criança - Anexo IV: Situações de risco de introdução do leite de vaca.


·       É comum observarmos mães inseguras quanto à sua capacidade de fazer uma criança ganhar peso e crescer só com seu leite, queixando-se que tem pouco leite, mesmo em situações em que o bebê está apresentando ganho de peso diário bom e curva ascendente.
·         Muitas vezes, a mãe oferece outro leite à noite para a criança dormir mais tempo. Nesse caso os profissionais podem orientar a mãe a oferecer o peito por volta das 23 horas, deixando à criança sugar até esvaziar a mama, garantindo a obtenção do leite mais rico em gordura que sai no final da mamada. Assim, o bebê vai ter mais saciedade e dormir por maior tempo no período.
·         Outro problema que ocorre com freqüência é a troca da noite pelo dia, fazendo com que a mãe tenha que acordar várias vezes durante a noite para amamentar, o que torna essa prática cansativa e estressante. O profissional pode auxiliar a mãe com orientações que façam com que durante o dia o bebê possa ficar mais atento às movimentações da casa, deixando-o por algumas horas em cômodos da casa mais claros e menos silenciosos.

Conduta:
·         Conversar com a mãe explicando-lhe sobre o ganho de peso adequado do bebê, as vantagens do aleitamento natural e os riscos e desvantagens do aleitamento artificial.
·         Procurar tranqüilizar a mãe informando-a que se o bebê está ganhando peso de modo adequado, a sua produção está sendo suficiente e conversar sobre as reais necessidades do bebê por alimentos. As mães geralmente têm uma expectativa maior do que a real sobre a quantidade de alimentos de que o bebê necessita.
·         Explicar à mãe que o leite artificial pode aumentar os riscos de doenças e alergia.
·         Caso a mãe esteja oferecendo o leite de vaca, orientar a suspensão da mamadeira e aumentar a freqüência das mamadas, retornar para avaliação dentro de uma semana ou antes, se a mãe achar necessário.

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília, 2009.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Segurança Alimentar e Nutricional

               Segurança Alimentar e Nutricional é definida como “direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que seja: ambiental, econômica e socialmente sustentável” (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA/2004).

             De acordo com a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), cabe ao poder público assegurá-lo, avançando na Institucionalização de uma política de segurança alimentar e nutricional.


Amamentação e a Segurança Alimentar e Nutricional

As recomendações atuais, para se garantir uma alimentação ótima para lactentes e crianças pequenas, preconizadas pela Organização Mundial da Saúde, são:

  • Iniciar o aleitamento dentro da primeira hora de vida;
  • Amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses de vida;
  • A partir dessa idade, introduzir alimentos locais e ricos em nutrientes como complementação ao leite materno e
  • Manter a amamentação até dois anos ou mais.
·         A importância do leite materno para o crescimento e desenvolvimento infantil é universalmente reconhecida. A amamentação associada à redução das doenças infecciosas, ao aumento da imunidade, ao bem estar psicossocial e ao aumento da sobrevivência dos lactentes e das crianças pequenas.

·         Os bebês não amamentados têm um risco de morrer por diarréia e infecção respiratória aguda 14 vezes maior que os amamentados.


Alimentação complementar segura para crianças pequenas.

Os lactentes maiores de seis meses e as crianças pequenas necessitam de alimentos complementares. Os princípios gerais da alimentação complementar segura são:

  • Manter a amamentação junto com outros alimentos.
  • Oferecer alimentos diversificados, para que a criança receba os vários nutrientes necessários para o seu crescimento e desenvolvimento.
  • Alimentar a criança freqüentemente. O estômago das crianças é pequeno e pode acomodar apenas uma pequena porção por vez e elas necessitam uma quantidade de nutrientes semelhante a dos adultos.
  • As crianças pequenas precisam que seu alimento esteja separado dos alimentos dos outros membros da família, pois, sendo mais frágeis, não são capazes de competir pela comida.
  • A alimentação das crianças deve ser pastosa ou semi-sólida, porque elas não mastigam, deglutem ou digerem facilmente os alimentos sólidos.
  • Os utensílios usados para a alimentação infantil devem ser facilmente laváveis; deve-se dar preferência a copos, pratos e colheres. Evitar mamadeiras e bicos.
  • O manuseio dos alimentos das crianças deve ser feito em condições higiênicas.
É especialmente necessário evitar o contato da comida infantil com sujeiras, alimentos estragados ou contaminados com substâncias nocivas.

Política de proteção ao aleitamento materno.

É necessário desenvolver planos e programas que englobem e enfatizem a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar adequada e oportuna de lactentes e crianças pequenas. Também é essencial assegurar que o abastecimento, a distribuição e o uso de fórmulas infantis, leites, alimentos complementares e equipamentos para alimentar lactentes e crianças pequenas cumpram com as determinações da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e Lei 11.265/2006.

Referência Bibliografica:
Alimentação de lactentes e crianças pequenas em situação de emergência: manual de orientações para a comunidade, profissionais de saúde e gestores de programas de assistência humanitária / Ana Júlia Colameo; organizado por Rosana Maria Polli Fachini De Divittis – 1ª Ed. – São Paulo: IBFAN Brasil e Senac São Paulo, 2009.

Alimentação da criança - Anexo IV e V: Excesso de ganho de peso

           O ganho de peso excessivo (percentil de peso para estatura > 97) pode ocorrer em crianças amamentadas exclusivamente em livre demanda. A composição corporal desse bebê, apesar da aparência de “obeso” é diferente daquela relacionada ao aleitamento artificial. Essa composição não é de risco e já foi demonstrado que, por volta de 2 anos, o bebê entra na curva normal de crescimento. De qualquer forma, é sempre bom investigar se esse bebê está recebendo somente leite materno, pois o excesso de ganho de peso com leite artificial ou farinhas deve ser encarado de forma diferente, já que consiste em risco de obesidade, mesmo em idade tão precoce.


Conduta:
·         Se a criança estiver recebendo só leite materno, não intervir de forma alguma; manter o aleitamento materno exclusivo até a criança completar 6 meses de idade.
·         Se a criança estiver recebendo outro leite que não o materno, orientar para a suspensão dessa prática. Não sendo possível, corrigir a diluição. Nesse caso, a oferta de água é obrigatória, pois a criança ingere mais o leite com objetivo de obter mais água para saciar a sede.


Práticas específicas para controlar o excesso de peso

1) Manter aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida da criança. Quanto mais tempo a criança mama no peito menor a chance de se tornar obesa.
2) Não oferecer açúcar, doces em geral, salgadinhos, refrigerante, refrescos artificiais, achocolatados, gelatinas e outras guloseimas antes dos 2 anos de vida. Essa prática estimula as crianças a preferirem esses alimentos em substituição à alimentação básica.
3) A criança que come arroz, feijão, verdura e carne duas vezes ao dia não tem necessidade de ingerir doces, guloseimas e bebidas adocicadas.
4) Todos os dias a criança, ao completar 6 meses de idade, deve comer 2 frutas e uma porção (1 pires de chá) de verduras e legumes.
5) O consumo excessivo de leite de vaca está associado à obesidade entre crianças menores de 2 anos. O consumo deve ser limitado a 500ml por dia dos 6 meses aos 2 anos de vida. As crianças em aleitamento artificial não devem receber mamadeiras acrescidas de farinha, açúcar e achocolatado.
6) Alimentos ricos em gordura como frituras, bolachas recheadas, sorvetes, embutidos (salsicha, mortadela, lingüiça, presunto, toicinhos) não devem ser oferecidos antes dos 2 anos.
7) Não oferecer comida para a criança enquanto ela assiste TV. Nenhuma criança deve ver TV mais que duas horas por dia.


Recomendações nutricionais diárias para lactentes e crianças menores de 2 anos.
Idade
Energia
Kcal/kg
Proteína
g
Ferro*
mg
Cálcio
mg
Vitamina A
mcgRE
Vitamina C
mg
6 - 8 meses
83
9.1
9.3
400
400
30
9 -11 meses
89
9.6
9.3
400
400
30
12 - 23 meses
86
10.9
5.8
500
400
30
Fonte: OMS/UNICEF 1998; OMS 2002.    *Considerando biodisponibilidade de 10%

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.