quinta-feira, 24 de maio de 2012

Recomendações nutricionais para crianças no segundo ano de vida.




Anexo II – 2ª parte: Alimentação variada.

Recomendações nutricionais para crianças no segundo ano de vida.
O intervalo de 2 a 3 horas, entre as refeições, vai garantir que a criança consuma quantidade suficiente de comida.
Deve-se evitar a ingestão de açúcar e produtos que o contenham, pois favorecem a formação de cáries e obesidade.
As frutas (preferencialmente orgânicas) devem ser utilizadas de acordo com a regionalidade, sazonalidade e hábito da família.
Caso seja oferecido suco para a criança, orientar à mãe para oferecê-los após o consumo de toda a refeição e em pequena quantidade.
Crianças amamentadas desenvolvem um autocontrole de sua saciedade bastante eficaz. É importante que, após a introdução de alimentos complementares, os pais e cuidadores não adotem esquemas rígidos de alimentação, como horários e quantidade fixos, intervalos curtos entre as refeições, prêmios e ou castigos.
A tabela abaixo apresenta uma referência das quantidades adequadas de alimentos, de acordo com a idade da criança. Contudo, é necessário reforçar que algumas crianças aceitarão volumes maiores ou menores por refeição, sendo importante observar e respeitar os sinais de fome e saciedade da criança.


Idade
Textura
Quantidade
A partir de 6 meses
Alimentos bem amassados
Iniciar com 2 a 3 colheres de sopa e aumentar a quantidade conforme aceitação
A partir dos 7 meses
Alimentos bem amassados
2/3 de uma xícara ou tigela de 250ml
9 a 11 meses
Alimentos bem cortados ou levemente amassados
¾ de uma xícara ou tigela de 250ml
12 a 24 meses
Alimentos bem cortados ou levemente amassados
Uma xícara ou tigela de 250ml



Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Anexo II – 1ª parte: Alimentação variada.

A espécie humana necessita de dieta variada para garantir a nutrição adequada.
Os nutrientes estão distribuídos em quantidades diferentes nos alimentos, por isso é recomendado variar os alimentos que compõem as preparações. Os alimentos são classificados em grupos, de acordo com o nutriente que apresentam em maior quantidade. Alimentos que pertencem ao mesmo grupo podem ser fontes de diferentes nutrientes. Exemplo: grupo das frutas – o mamão é fonte de vitamina A e o caju é fonte de vitamina C. Então, além de consumir alimentos de todos os grupos é importante variar os alimentos dentro de cada grupo.
Descrição dos grupos de alimentos e da recomendação diária por faixa etária:

Grupo
Importância
Recomendação diária
6 – 12 meses
Recomendação diária
12 – 24 meses
Cereais, pães e tubérculos
Alimentos ricos em carboidratos devem aparecer em quantidades maiores nas refeições, principalmente nas papas, pois aumentam a densidade energética, além de fornecer proteínas.
Três porções
Cinco porções
Verduras e legumes
Alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras. Devem ser variados, pois existem diferentes fontes de vitaminas nesse mesmo grupo. Os alimentos de coloração alaranjada são fonte de beta-caroteno (pró-vitamina A). As folhas verde-escuras possuem, além de beta-caroteno, ferro não heme, que é mais absorvido quando oferecido junto com alimentos fonte de vitamina C.
Três porções
Três porções
Frutas
Alimentos ricos em vitaminas, minerais e fibras. São, também, importante fonte de energia. Após completar 6 meses a criança deve receber 2 frutas por dia, e nenhuma fruta é contraindicada.
Três porções
Quatro porções
Leites e produtos lácteos
Para crianças menores de 2 anos, o leite materno pode ser o único alimento desse grupo. Para crianças maiores de quatro meses totalmente desmamadas, se recomenda a oferta de leite de vaca (ou outro) na forma pura ou adicionado de fruta. Esse grupo é básico para crianças menores de 1 ano e complementar para crianças maiores de 1 ano. Fornece cálcio e proteína. O cálcio é fundamental para o desenvolvimento ósseo da criança.
Três porções
Três porções


Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Anexo I – 3ª parte: Orientações para crianças totalmente não amamentadas no primeiro ano de vida.

Esquema alimentar para crianças não amamentadas.
            Caso a criança não esteja mais sendo alimentada ao peito, a partir do 4º mês de vida deve-se oferecer quatro refeições diárias, além de duas refeições lácteas.
            Assim durante um dia ficariam duas refeições básicas (almoço e jantar) e duas frutas, além do leite sem adição de açúcar.
            Se a criança estiver recebendo fórmula infantil, não há necessidade de suplementação com ferro e vitaminas, porque já são enriquecidas.
            Se a criança estiver recebendo preparação com leite de vaca integral em pó ou fluído, recomenda-se introdução de suco de frutas para que seja oferecida vitamina C.
            Deve-se ainda procurar ajuda profissional, pois pode haver necessidade de suplemento medicamentoso principalmente de ferro até que a alimentação complementar seja introduzida e supra as necessidades desses minerais.
            A alimentação da criança no primeiro ano de vida ficaria assim distribuída:

Menores de 4 meses
De 4 a 8 meses
Após completar 8 meses
Após completar 12 meses
Alimentação Láctea
Leite
Leite
Leite ou fruta ou cereal ou tubérculo
Papa de Fruta
Fruta
Fruta
Papa Salgada
Papa Salgada ou Refeição da Família
Refeição Básica da Família
Papa de Fruta
Fruta
Fruta ou pão simples ou cereal ou tubérculo
Papa Salgada
Papa Salgada ou Refeição da Família
Refeição Básica da Família
leite
Leite
Leite

A composição das papas, forma de introdução e consistência deve seguir as orientações contidas nos passos deste material.

Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Anexo I – 2ª parte: Orientações para crianças totalmente não amamentadas no primeiro ano de vida.

O Ministério da Saúde sugere para a alimentação das crianças totalmente desmamadas, um número diário de refeições com leite variando de acordo com a faixa etária, para garantir o suprimento das necessidades nutricionais.
                A tabela abaixo mostra a sugestão para o primeiro ano de vida da criança.

Volume e número de refeições lácteas por faixa etária no primeiro ano de vida.

Idade
Volume/Refeição
Número de refeições/dia
Do nascimento a 30 dias
60 a 120 ml
6 a 8
30 a 60 dias
120 a 150 ml
6 a 8
2 a 3 meses
150 a 180 ml
4 a 6
3 a 4 meses
180 a 200 ml
4 a 5
> 4 meses
180 a 200 ml
2 a 3


                Os valores das refeições de leite são diferentes para cada criança, pois variam de acordo com o peso corporal da criança nas diferentes idades.
                A alimentação pode ser feita com fórmulas infantis (leites industrializados próprios), com leite em pó integral ou com leite fluído.
                Na opção por fórmula infantil, o preparo deve seguir as recomendações do rótulo do produto, uma vez que a industria preparou um composto para as necessidades da criança.
                Caso a opção seja por leite em pó integral ou pelo leite fluido, como eles não sofreram modificações deve-se diluí-lo até 4° mês de idade, por causa do excesso de proteína e eletrólitos que sobrecarregam a filtração renal. Quando se faz a diluição, corrige-se o excesso de proteína e eletrólitos, entretanto causa-se outro, a diminuição do valor calórico do mesmo. Além disso o leite de vaca não tem um tipo de gordura que o leite humano tem. Para corrigir esses problemas recomenda-se preparar o leite com 3% de óleo (1 colher de chá para cada 100 mL de leite).

Reconstituição do leite para crianças menores de 4 meses.

Leite em pó integral (diluição a 10%):
1 colher das de sobremesa rasa para 100ml de água fervida.
1 ½  colher das de sobremesa rasas para 150ml de água fervida.
2 colheres das de sobremesa rasas para 200ml de água fervida.
Preparo de leite em pó: primeiro, diluir o leite em pó em um pouco de água fervida e em seguida adicionar o óleo e água fervida para completar o volume desejado.
Leite integral fluído:
2/3 de leite fluído + 1/3 de água fervida:
70ml de leite + óleo + 30ml de água = 100ml.
100ml de leite + óleo + 50ml de água = 150ml.
130ml de leite + óleo + 70ml de água = 200ml

                Após completar 4 meses de idade o leite integral líquido não deverá ser diluído e nem acrescido do óleo, já que nessa idade a criança receberá outros alimentos.

Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Anexo I – 1ª parte: Orientações para crianças totalmente não amamentadas no primeiro ano de vida.


  • As orientações transmitidas pelo “Colostro”, nesta série sobre Alimentação Infantil, não recomenda nem induz o uso de leite de vaca e/ou artificial e sim valoriza o aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e complementado até os dois anos ou mais.
  • No entanto, sabe-se que há condições em que as crianças não estão mais sendo amamentadas ao peito e não há possibilidade de reverter essa situação. Assim, as orientações a seguir permitirão aos profissionais de saúde atuar de maneira mais adequada frente a tais casos e de forma individualizada. Essas devem ser adotados apenas excepcionalmente, quando esgotadas todas as possibilidades de relactação da mãe e analisados caso a caso.
  • É importante reforçar que o leite de vaca integral fluido ou em pó não é recomendado para criança menor de um ano. Diante da impossibilidade de impedir a utilização desse alimento para o lactente o profissional de saúde deve orientar a mãe sobre a diluição adequada para a idade, a correção da deficiência de linoléico com óleo nos primeiros quatro meses e a suplementação com vitamina C e ferro.
  • A amamentação deve ser protegida. Por isso, a orientação sobre preparo de leites artificiais nunca deve ser coletiva. Nos casos em que há necessidade de orientar sobre o preparo de leites artificiais (por exemplo, mães HIV positivo) esta orientação deve ser feita de maneira individualizada e por profissional qualificado.

Para crianças menores de 4 meses:
  • Perguntar à mãe ou responsável como ela prepara o leite que oferece à criança e corrigir, se for o caso, a diluição (que pode estar muito diluída ou concentrada), o volume de cada refeição e o número de refeições que estão sendo oferecidos.
  • Identificar as práticas de higiene usadas na manipulação e no preparo dos alimentos complementares, orientando adequadamente as mães e cuidadores, quando necessário.
  • Orientar a mãe para preparar cada refeição láctea próxima à hora de oferecê-la à criança, sobretudo se não possui refrigerador. E nunca oferecer à criança restos de leite da refeição anterior.

Para crianças a partir dos 4 meses:
  • A orientação básica é iniciar logo a alimentação (não esperar que a criança entre no sexto mês) e ir substituindo a refeição láctea pura pela alimentação, de modo gradativo. Todas as demais orientações dadas para as crianças menores de 4 meses também se aplicam a esse grupo de idade.

Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Passo 10 dos Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para menores de dois anos.

Passo 10: Estimular a criança doente e convalescente a se alimentar, oferecendo sua alimentação habitual e seus alimentos preferidos, respeitando a sua aceitação.

·         A criança doente ingere menos alimentos, quer seja por falta de apetite, dor ou indisposição. Há gasto energético maior devido à febre e ao aumento de alguns hormônios e anticorpos.
·         Há aumento no catabolismo de proteínas com perdas significativas de nitrogênio pela via urinaria e, nos casos de diarréia, de perdas gastrintestinais de energia e micronutrientes.
·         Episódios freqüentes de infecção podem levar ao atraso no desenvolvimento e a certas deficiências nutricionais (vitamina A, zinco e ferro).
·         Esses fatores aumentam a vulnerabilidade da criança a novos episódios de infecção, formando um ciclo vicioso, que vai comprometer o seu estado nutricional.
·         O aleitamento materno é a melhor e mais eficiente recomendação dietética para a saúde da criança pequena. Além de prevenir infecções, o leite materno limita os efeitos das infecções, quando contraídas, fornecendo agentes imunológicos eficazes e micronutrientes que são melhor absorvidos e aproveitados.
·         A prioridade dietética para a criança doente é a manutenção da ingestão adequada de calorias, utilizando alimentos complementares pastosos ou em forma de papas com alta densidade energética.
·         Uma boa prática para aumentar o teor energético diário da alimentação de crianças que apresentarem baixo peso para a estatura é acrescentar, às refeições salgadas, uma colher das de sobremesa de óleo para crianças menores de um ano e uma colher de sopa para maiores de um ano.
·         Logo que a criança recupere o apetite pode-se orientar à mãe oferecer mais uma refeição extra ao dia, pois no período de convalescença o apetite da criança aumenta para compensar a inapetência da fase aguda da doença.
·         Se a criança estiver sendo amamentada exclusivamente no peito, aumentar a freqüência das mamadas. O leite materno é, em geral, o alimento que a criança doente aceita melhor. Muitas vezes a criança doente cansa-se mais e precisa mamar mais vezes.
·         A mãe deve ser orientada a oferecer, dentre os alimentos saudáveis, os de maior preferência, em quantidades pequenas e com maior freqüência.
·         Se a criança já estiver recebendo a alimentação da família, utilizar as preparações em forma de purê ou papas nas refeições, que são de mais fácil aceitação pela criança. E se estiver aceitando bem apenas um tipo de preparação saudável, mantê-la até que a criança se recupere.
·         Nos casos das crianças febris e/ou com diarréia, a oferta de líquidos e água deve ser aumentada. Esses líquidos devem ser oferecidos no intervalo das refeições e, de preferência, em xícaras ou copos sem tampa. O uso de mamadeira aumenta o risco de infecções e diarréia.


Recomendações às famílias de crianças pequenas com dificuldades de alimentar-se:
·         Separar a refeição em um prato individual para ter certeza do quanto a criança está realmente ingerindo;
·         Estar presente junto às refeições mesmo que a criança já coma sozinha e ajudá-la se necessário;
·         Não apressar a criança. Ela pode comer um pouco, descansar e depois comer novamente. É necessário ter paciência e bom humor;
·         Alimentar a criança tão logo ela demonstre fome, se esperar muito, ela pode perder o apetite;
·         Não forçar a criança a comer. Isso aumenta o estresse e diminui ainda mais o apetite. As refeições devem ser momentos tranqüilos e felizes;
·         Cuidados de higiene corporal e bucal (dentes e língua) devem ser redobrados, quando a criança está doente


Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Passo 9 dos Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para menores de dois anos.

Passo 9: Cuidar da higiene no preparo e manuseio dos alimentos; garantir o seu armazenamento e conservação adequados.

  • Enquanto o aleitamento materno exclusivo protege as crianças contra a exposição a micro-organismos patogênicos, a introdução de outros alimentos as expõe ao risco de infecções.
  • Quando a criança passa a receber a alimentação complementar aumenta a possibilidade de doenças diarréicas que constituem importante causa de morbidade e mortalidade entre crianças pequenas.
  • Os maiores problemas dessa ordem são a contaminação da água e alimentos durante sua manipulação e preparo; inadequada higiene pessoal e dos utensílios, alimentos mal cozidos e conservação dos alimentos em temperatura inadequada.
  • Os alimentos consumidos pela criança ou utilizados para preparar as suas refeições devem ser guardados em recipientes limpos e secos, em local fresco, tampados e longe do contato de moscas ou outros insetos, animais e poeira.
  • O uso de mamadeira é um risco de contaminação do alimento pela dificuldade para a limpeza e adequada higienização; o ideal é utilizar xícaras ou copos sem tampa.
  • Nos alimentos preparados, a proliferação de microorganismos pode ocorrer se os mesmos permanecerem fora do refrigerador ou se o refrigerador não estiver em boas condições. Orienta-se que os alimentos sejam preparados em quantidade suficiente para o momento do consumo. Restos do prato devem ser desprezados.
  • Oferecer água o mais limpa possível (tratada, filtrada e fervida) para a criança beber. O mesmo cuidado deve ser observado em relação à água usada para preparar os alimentos.
  • Orientar a mãe ou pessoa responsável a lavar bem as mãos com água e sabão, toda vez que for preparar ou oferecer o alimento à criança.
  • As frutas devem ser lavadas em água corrente, colocadas de molho por 10 minutos em água clorada, utilizando produto adequado para este fim, na diluição de 200 ppm (1 colher de sopa para 1 litro) e enxaguadas em água corrente, antes de serem descascadas, mesmo aquelas que não sejam consumidas com casca.
  • Todo utensílio que vai ser utilizado para oferecer a alimentação à criança precisa ser lavado e enxaguado com água limpa.
É importante que a mãe seja orientada sobre:
  • A forma correta de preparar e conservar os alimentos.
  • Recomendar que a família, principalmente as crianças, não fiquem abrindo o refrigerador a todo momento. Certificar-se de que está sempre fechado e que a porta apresenta boas condições de vedação.
  • Para a família não tiver refrigerador ou este não apresentar condições adequada de funcionamento, ressaltar a importância do preparo próximo ao horário de cada refeição.

Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Passo 8 dos Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para menores de dois anos.

Passo 8: Evitar açúcar, café, enlatados, frituras, refrigerantes, balas, salgadinho e outras guloseimas, nos primeiros anos de vida. Usar sal com moderação.

  • Já foi comprovado que a criança nasce com preferência para o sabor doce, portanto a adição de açúcar é desnecessária e deve ser evitada nos dois primeiros anos de vida.
  • Essa atitude vai fazer com que a criança não se desinteresse pelos cereais, verduras e legumes, aprendendo a distinguir outros sabores.
  • Até completar um ano de vida, a criança possui a mucosa gástrica sensível e, portanto, as substâncias presentes no café, chá mate, enlatados e refrigerantes podem irritá-la, comprometendo a digestão e a absorção dos nutrientes, além de terem baixo valor nutricional.
  • O sal iodado, além de fornecer o iodo, é importante para que a criança se adapte à alimentação da família, porém seu uso deve ser moderado e restrito àquele adicionado às papas salgadas.
  • A criança não deve comer alimentos industrializados, enlatados, embutidos e frituras que contenham sais em excesso, aditivos e conservantes artificiais.
  • As frituras são desnecessárias, especialmente nos primeiros anos de vida. A fonte de lipídeo (gordura) para a criança já está presente naturalmente, no leite, nas fontes protéicas e no óleo vegetal utilizado para o cozimento dos alimentos. O óleo usado para as frituras sofre superaquecimento, liberando radicais livres que são prejudiciais à mucosa intestinal do bebê e, a longo prazo, tem efeitos danosos sobre a saúde.
  • O mel é totalmente contra-indicado no primeiro ano de vida pelo risco de contaminação com Clostridium botulinum, que causa botulismo.
  • O consumo de alimentos não nutritivos (ex. refrigerantes, salgadinhos, açúcar, frituras, doces, gelatinas industrializadas, refrescos em pó, temperos prontos, margarinas, achocolatados e outras guloseimas) está associado à presença de anemia, ao desenvolvimento de excesso de peso e às alergias alimentares.
É importante que a mãe seja orientada sobre:
  • O valor de oferecer alimentos in natura, sem adição de açúcar;
  • Evitar o consumo de alimentos não nutritivos.
  • A criança pequena não pode “experimentar” todos os alimentos consumidos pela família, por exemplo, iogurtes industrializados, queijinhos petit suisse, macarrão instantâneo, bebidas alcoólicas, salgadinhos, refrigerantes, doces, sorvetes, biscoitos recheados, entre outros). Orientar os irmãos maiores e familiares para não oferecerem esses alimentos para a criança.
  • Orientar a mãe para ler o rótulo dos alimentos infantis antes de comprá-los, evitando oferecer à criança alimentos que contenham aditivos e conservantes artificiais.

Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Passo 7 dos Dez passos para uma alimentação saudável: Guia alimentar para menores de dois anos.


Passo 7: Estimular o consumo diário de frutas, verduras e legumes nas refeições.


  • As frutas, legumes e verduras são as principais fontes de vitaminas, minerais e fibras.
  • Os alimentos do grupo dos vegetais podem ser inicialmente, pouco aceitos pelas crianças pequenas. Normalmente, elas aceitam melhor os alimentos com sabor doce. As frutas devem ser oferecidas in natura, amassadas, ao invés de sucos. O consumo de suco natural deve ser limitado e, se for oferecido, em pequena quantidade, após as refeições principais para ajudar a absorver melhor o ferro inorgânico. Porém, os sucos não devem ser utilizados como uma refeição ou lanche, por conterem menor densidade energética que a fruta em pedaços.
  • Técnicas inadequadas usadas na introdução dos alimentos complementares podem também prejudicar a aceitação desses alimentos como:
§         A desistência de oferecer os alimentos que a criança não aceitou bem, nas primeiras vezes, por achar que ela não os aprecia;
§         O uso de misturas de vários alimentos, comumente liquidificados ou peneirados, dificultando à criança testar os diferentes sabores e texturas dos novos alimentos que estão sendo oferecidos;
§         Ocorrendo a primeira recusa do novo alimento pela criança, a substituição da refeição por bebidas lácteas, se freqüente pode causar anemia e excesso de peso. Já foi demonstrado cientificamente que a criança, mesmo pequena, condiciona-se à oferta de um substituto para a alimentação recusada.
·         É importante que a mãe seja orientada sobre:
§         Se a criança recusar determinado alimento, oferecer novamente em outras refeições. Lembrar que são necessárias em média, oito a dez exposições a um novo alimento para que ele seja aceito pela criança;
§         No primeiro ano de vida não se recomenda que os alimentos sejam muito misturados, porque a criança está aprendendo a conhecer novos sabores e texturas dos alimentos;
§         Quando oferecer uma papa que não necessite de uma preparação mais elaborada, os alimentos devem ser amassados e colocados em porções separadas no prato da criança;
§         Quando a criança já senta à mesa, o exemplo do consumo desses alimentos pela família vai encorajá-la a consumi-los;
§         As refeições, almoço e jantar, não devem ser substituídas por refeições lácteas ou lanches.


Referência Bibliografica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.

Recomendações para a papa salgada:

1.     Cozinhar todos os alimentos, para deixá-los macios.

2.     Amassar com garfo, não liquidificar e não passar na peneira.

3.     A papa deve ficar consistente, em forma de purê grosso.

4.     A primeira papa salgada deve ser oferecida no almoço ao completar 6 meses e ao completar 7 meses, conforme a aceitação, introduzir a segunda papa salgada no jantar.
Obs.: Sugestão para as mães que precisarem antecipar a introdução de alimentos complementares (retorno ao trabalho após a licença maternidade de 4 meses, retorno aos estudos, etc...):
- Iniciar a primeira papa salgada no almoço ao completar 4 meses e ao completar 5 meses, conforme a aceitação, introduzir a segunda papa salgada no jantar.

5.     A partir dos 8 meses, algumas preparações da casa como o arroz, feijão, cozidos de carne ou legumes podem ser oferecidos à criança, desde que amassados ou desfiados e que não tenham sido preparados com condimentos (temperos) picantes e excessivos.

6.     Não oferecer, como refeição, alimentos líquidos de baixa densidade energética do tipo sopas, caldos e sucos.

Sugestão: reproduzir este material para os profissionais que orientam a introdução de alimentos.

Referência Bibliogràfica:
Dez passos para uma alimentação saudável: guia alimentar para menores de dois anos. Um guia para o profissional da saúde na atenção básica/MS, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – 2 ed-Brasília 2010.