quinta-feira, 4 de abril de 2013

Alimentação da criança

Alimentação da criança

Anexo IV: Desnutrição.

Crianças com desnutrição entre 10 e 24 meses é um quadro muito comum no atendimento básico de saúde. Muitas vezes essa situação não reflete a falta absoluta de comida no domicílio, mas erros nas práticas alimentares. O profissional pode certificar-se disso observando a condição nutricional materna. Se esta apresenta-se eutrófica ou até mesmo com sobrepeso, deduz-se que há disponibilidade de alimentos, mesmo que seja quantitativa, pois se há garantia do suprimento energético à criança, os prejuízos no crescimento serão muito menores.
  • É importante considerar que a criança que se mantém com peso baixo para a sua estatura por período prolongado, futuramente apresentará comprometimento na estatura. Essa situação é chamada de adaptação biológica da desnutrição. O diagnóstico da desnutrição ou baixo peso deve ser feito de forma que o profissional reconheça se a criança está\ apresentando ou não os depósitos de gordura necessários ao crescimento. A recuperação nutricional implica o consumo predominantemente de energia, mas também de proteína. Essa intervenção requer conhecimento prévio e detalhado do hábito alimentar, assim é possível descobrir a causa e corrigi-la. O aumento da densidade energética é mais eficaz, já que a criança pequena e de baixo peso apresenta o volume gástrico bastante comprometido.
  • A adição de óleo vegetal na porção de alimento habitualmente oferecido à criança permite o aumento da densidade energética da dieta.
  • Oferecer frutas e verduras permite o aumento da ingestão de vitaminas e sais minerais, necessários à recuperação do crescimento da criança desnutrida.
Conduta para prevenção da desnutrição:
  • Orientar quanto a utilização dos alimentos saudáveis que fazem parte do hábito da família. Não é necessária a utilização de alimentos especiais ou alternativos;
  • Oferecer leite puro no copo sem adição de farinhas;
  • Oferecer duas frutas ao dia, segundo a diversidade regional, safra e de preferência livre de agrotóxico;
  • Orientar a mãe a oferecer alimentação saudável da família;
  • Acrescentar 1 colher de sopa de óleo sobre a porção servida para a criança, no almoço e no jantar.
  • Oferecer volumes menores e aumentar a freqüência das refeições ao dia.
Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília, 2009.

Alimentação da criança


Anexo IV: Constipação Intestinal.

·         A constipação intestinal crônica funcional está presente em 25% das crianças menores de 2 anos. Já foi demonstrado que a criança amamentada exclusivamente por no mínimo seis meses é protegida contra esse problema.
  • A introdução precoce de alimentos (antes dos 6 meses) é o principal fator determinante de constipação em crianças pequenas.
  • Outro aspecto importante é a criança que apresenta uma alimentação predominantemente láctea, isto é, as refeições e lanches são parcialmente substituídos por leite ou por seus produtos.
  • Esse procedimento pode assegurar a quantidade de calorias e proteína de que a criança necessita, porém, não favorece a ingestão adequada de fibra e de volume de alimentos, dificultando o trânsito intestinal.
  • A pouca ingestão de água também pode ser um aspecto importante, já que é comum a oferta de refrigerantes, refrescos e sucos para substituí-la. Nesse caso o efeito não é tão eficaz pela diferença de osmolalidade desses líquidos.
  • A recomendação de fibra alimentar para criança menor de 2 anos ainda não foi estabelecida, porém há a sugestão de que a criança receba em torno de 5g por dia. A partir de 2 anos, a quantidade de fibra alimentar deve seguir a seguinte regra: idade + cinco. Essa quantidade é facilmente ultrapassada quando os dez passos para alimentação saudável são cumpridos.

Exemplos do conteúdo de fibra de alguns alimentos:
Feijão (2 colher sopa) – 2g
Vagem (2 c. sopa) – 2g
Aveia (1 c. sopa) – 2g
Batata (1 unidade Média) – 2,5g
Mamão (1 fatia) – 2g
Manga (1 un. Média) – 2g
Aipim/Mandioca/Macaxeira (2 c. sopa) – 2,5g
Maça (1 un. Pequena) – 2g

Como pode ser observado não é difícil garantir a quantidade de fibra alimentar recomendada para a criança pequena.

Conduta para prevenção da constipação intestinal:
  • Evitar o uso de farinhas, e de biscoitos doces, substituindo-os por cereais integrais e frutas com tendências laxantes.
  • Oferecer pelo menos duas frutas por dia, da época de safra e de preferência livre de agrotóxicos. O mamão e o abacate podem ser boas opções.
  • Observar o comportamento intestinal da criança ao escolher os alimentos que serão oferecidos.
  • Orientar ingestão de água tratada, filtrada e fervida, no mínimo 400ml (divididos em quatro vezes ao dia).
  • Organizar os horários, aumentando o intervalo antes das principais refeições para que a criança consuma maior volume de alimentos, o que vai favorecer o estímulo gastro-cólico do peristaltismo intestinal.
  • Introduzir verduras e legumes cozidos gradativamente, misturando aos outros alimentos mais aceitos, para que a criança possa tolerar o aumento da fibra na alimentação.
  • Evitar de rotina o uso de laxantes, mesmo que sejam considerados “naturais” pois, acabam prejudicando a flora intestinal natural e não regularizam os movimentos peristálticos.
Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Alimentação da criança - Anexo IV

Práticas alimentares que previnem a anemia

·         Ao introduzir a partir dos seis meses os alimentos complementares é necessário oferecer pequenas porções de carne (50 a 100g por dia). O ferro do leite materno é absorvido em menor quantidade com a introdução de outros alimentos e somente as carnes possuem ferro heme que é melhor absorvido.
  • Os alimentos que contêm ferro como a beterraba, o feijão, verduras verdes e ovos não são boas fontes a não ser que sejam consumidos com alimentos ricos em vitamina C.
  • Oferecer uma fruta rica em vitamina C (ex.: laranja, goiaba, abacaxi, mexírica, tangerina, acerola, limão) após as refeições principais (almoço e jantar).
  • O consumo excessivo de leite de vaca está associado à anemia entre crianças menores de 2 anos. O consumo deve ser limitado a 500ml por dia a partir dos seis meses até dois anos de vida.
  • Estimular o consumo de miúdos ou vísceras, de preferência livres de agrotóxicos e hormônios (especialmente fígado) no mínimo uma vez na semana (50 a 100g por semana). Essa prática é simples, barata e fornece grandes quantidades de ferro.
  • Garantir duas refeições principais (almoço e jantar) ao dia. Se a criança não quiser a refeição, essa não deve ser substituída por lanches ou refeições lácteas.
  • Orientar a mãe para oferecer a refeição mais tarde e não oferecer uma bebida láctea em substituição a refeição recusada.
  • O uso de lanches ou refeições lácteas em substituição à comida (almoço e ou jantar) aumenta o risco de anemia.

Programa de Prevenção à Anemia:
  • O Programa Nacional de Suplementação de Ferro consiste na suplementação medicamentosa de sulfato ferroso para todas as crianças de 6 meses a 18 meses de idade. Os suplementos de ferro são distribuídos, gratuitamente, nas Unidades Básicas de saúde (Rede SUS) com o objetivo de controlar a anemia no país.
  • Mais informações podem ser obtidas na publicação Manual Operacional do Programa Nacional de Suplementação de Ferro e no Caderno de Atenção Básica intitulado Carências de Micronutrientes, disponíveis no http://nutricao.saude.gov.br/
  • E desde 18 de junho de 2004, todas as farinhas de trigo e milho comercializadas no país saem da fábrica enriquecida com ferro. A determinação é da Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por resolução RDC nº 344.

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Apoio paterno ao Aleitamento Materno


A mulher no ciclo gravídico puerperal necessita de apoio social, profissional e familiar, sendo este imprescindível para o sucesso do aleitamento materno.
            O pai como principal suporte dessa rede de apoio, exerce uma forte influência na decisão da mulher em amamentar e na sua continuidade.
            O homem tem atuado cada vez mais em seu papel de pai, acompanha sua companheira aos serviços de saúde e busca conhecimento a fim de apoiá-la da melhor forma. Em contrapartida, os profissionais de saúde não têm se capacitado para recebê-los na mesma proporção. Durante a graduação, os temas abordados relativos ao aleitamento ainda são, primordialmente, sobre técnica, manejo da amamentação e composição do leite materno, marginalizando os aspectos psicológicos e a inclusão paterna.
            Apesar de todas as mudanças em busca da inclusão do homem, este ainda encontra dificuldades para compreender as transformações que ocorrem com as mulheres no decorrer de suas vidas, verdade esta observada e confirmada no cotidiano da assistência.
            Quanto à ajuda familiar, destacam-se como entes mais próximos: a mãe da puérpera e o pai do recém-nascido. O apoio paterno é um importante aliado do aleitamento. O homem, enquanto pai e companheiro devem participar da saúde integral da mulher e da criança.


Referência Bibliografica:
Apoio paterno ao aleitamento materno: uma revisão integrativa. Revista Paulista Pediatria, 2012, 30(1):122-30.

Alimentação da criança - Anexo IV: Situações de risco de introdução do leite de vaca.


·       É comum observarmos mães inseguras quanto à sua capacidade de fazer uma criança ganhar peso e crescer só com seu leite, queixando-se que tem pouco leite, mesmo em situações em que o bebê está apresentando ganho de peso diário bom e curva ascendente.
·         Muitas vezes, a mãe oferece outro leite à noite para a criança dormir mais tempo. Nesse caso os profissionais podem orientar a mãe a oferecer o peito por volta das 23 horas, deixando à criança sugar até esvaziar a mama, garantindo a obtenção do leite mais rico em gordura que sai no final da mamada. Assim, o bebê vai ter mais saciedade e dormir por maior tempo no período.
·         Outro problema que ocorre com freqüência é a troca da noite pelo dia, fazendo com que a mãe tenha que acordar várias vezes durante a noite para amamentar, o que torna essa prática cansativa e estressante. O profissional pode auxiliar a mãe com orientações que façam com que durante o dia o bebê possa ficar mais atento às movimentações da casa, deixando-o por algumas horas em cômodos da casa mais claros e menos silenciosos.

Conduta:
·         Conversar com a mãe explicando-lhe sobre o ganho de peso adequado do bebê, as vantagens do aleitamento natural e os riscos e desvantagens do aleitamento artificial.
·         Procurar tranqüilizar a mãe informando-a que se o bebê está ganhando peso de modo adequado, a sua produção está sendo suficiente e conversar sobre as reais necessidades do bebê por alimentos. As mães geralmente têm uma expectativa maior do que a real sobre a quantidade de alimentos de que o bebê necessita.
·         Explicar à mãe que o leite artificial pode aumentar os riscos de doenças e alergia.
·         Caso a mãe esteja oferecendo o leite de vaca, orientar a suspensão da mamadeira e aumentar a freqüência das mamadas, retornar para avaliação dentro de uma semana ou antes, se a mãe achar necessário.

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília, 2009.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Segurança Alimentar e Nutricional

               Segurança Alimentar e Nutricional é definida como “direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que seja: ambiental, econômica e socialmente sustentável” (Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – CONSEA/2004).

             De acordo com a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), cabe ao poder público assegurá-lo, avançando na Institucionalização de uma política de segurança alimentar e nutricional.


Amamentação e a Segurança Alimentar e Nutricional

As recomendações atuais, para se garantir uma alimentação ótima para lactentes e crianças pequenas, preconizadas pela Organização Mundial da Saúde, são:

  • Iniciar o aleitamento dentro da primeira hora de vida;
  • Amamentar exclusivamente nos primeiros seis meses de vida;
  • A partir dessa idade, introduzir alimentos locais e ricos em nutrientes como complementação ao leite materno e
  • Manter a amamentação até dois anos ou mais.
·         A importância do leite materno para o crescimento e desenvolvimento infantil é universalmente reconhecida. A amamentação associada à redução das doenças infecciosas, ao aumento da imunidade, ao bem estar psicossocial e ao aumento da sobrevivência dos lactentes e das crianças pequenas.

·         Os bebês não amamentados têm um risco de morrer por diarréia e infecção respiratória aguda 14 vezes maior que os amamentados.


Alimentação complementar segura para crianças pequenas.

Os lactentes maiores de seis meses e as crianças pequenas necessitam de alimentos complementares. Os princípios gerais da alimentação complementar segura são:

  • Manter a amamentação junto com outros alimentos.
  • Oferecer alimentos diversificados, para que a criança receba os vários nutrientes necessários para o seu crescimento e desenvolvimento.
  • Alimentar a criança freqüentemente. O estômago das crianças é pequeno e pode acomodar apenas uma pequena porção por vez e elas necessitam uma quantidade de nutrientes semelhante a dos adultos.
  • As crianças pequenas precisam que seu alimento esteja separado dos alimentos dos outros membros da família, pois, sendo mais frágeis, não são capazes de competir pela comida.
  • A alimentação das crianças deve ser pastosa ou semi-sólida, porque elas não mastigam, deglutem ou digerem facilmente os alimentos sólidos.
  • Os utensílios usados para a alimentação infantil devem ser facilmente laváveis; deve-se dar preferência a copos, pratos e colheres. Evitar mamadeiras e bicos.
  • O manuseio dos alimentos das crianças deve ser feito em condições higiênicas.
É especialmente necessário evitar o contato da comida infantil com sujeiras, alimentos estragados ou contaminados com substâncias nocivas.

Política de proteção ao aleitamento materno.

É necessário desenvolver planos e programas que englobem e enfatizem a proteção, promoção e apoio ao aleitamento materno e à alimentação complementar adequada e oportuna de lactentes e crianças pequenas. Também é essencial assegurar que o abastecimento, a distribuição e o uso de fórmulas infantis, leites, alimentos complementares e equipamentos para alimentar lactentes e crianças pequenas cumpram com as determinações da Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL) e Lei 11.265/2006.

Referência Bibliografica:
Alimentação de lactentes e crianças pequenas em situação de emergência: manual de orientações para a comunidade, profissionais de saúde e gestores de programas de assistência humanitária / Ana Júlia Colameo; organizado por Rosana Maria Polli Fachini De Divittis – 1ª Ed. – São Paulo: IBFAN Brasil e Senac São Paulo, 2009.

Alimentação da criança - Anexo IV e V: Excesso de ganho de peso

           O ganho de peso excessivo (percentil de peso para estatura > 97) pode ocorrer em crianças amamentadas exclusivamente em livre demanda. A composição corporal desse bebê, apesar da aparência de “obeso” é diferente daquela relacionada ao aleitamento artificial. Essa composição não é de risco e já foi demonstrado que, por volta de 2 anos, o bebê entra na curva normal de crescimento. De qualquer forma, é sempre bom investigar se esse bebê está recebendo somente leite materno, pois o excesso de ganho de peso com leite artificial ou farinhas deve ser encarado de forma diferente, já que consiste em risco de obesidade, mesmo em idade tão precoce.


Conduta:
·         Se a criança estiver recebendo só leite materno, não intervir de forma alguma; manter o aleitamento materno exclusivo até a criança completar 6 meses de idade.
·         Se a criança estiver recebendo outro leite que não o materno, orientar para a suspensão dessa prática. Não sendo possível, corrigir a diluição. Nesse caso, a oferta de água é obrigatória, pois a criança ingere mais o leite com objetivo de obter mais água para saciar a sede.


Práticas específicas para controlar o excesso de peso

1) Manter aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida da criança. Quanto mais tempo a criança mama no peito menor a chance de se tornar obesa.
2) Não oferecer açúcar, doces em geral, salgadinhos, refrigerante, refrescos artificiais, achocolatados, gelatinas e outras guloseimas antes dos 2 anos de vida. Essa prática estimula as crianças a preferirem esses alimentos em substituição à alimentação básica.
3) A criança que come arroz, feijão, verdura e carne duas vezes ao dia não tem necessidade de ingerir doces, guloseimas e bebidas adocicadas.
4) Todos os dias a criança, ao completar 6 meses de idade, deve comer 2 frutas e uma porção (1 pires de chá) de verduras e legumes.
5) O consumo excessivo de leite de vaca está associado à obesidade entre crianças menores de 2 anos. O consumo deve ser limitado a 500ml por dia dos 6 meses aos 2 anos de vida. As crianças em aleitamento artificial não devem receber mamadeiras acrescidas de farinha, açúcar e achocolatado.
6) Alimentos ricos em gordura como frituras, bolachas recheadas, sorvetes, embutidos (salsicha, mortadela, lingüiça, presunto, toicinhos) não devem ser oferecidos antes dos 2 anos.
7) Não oferecer comida para a criança enquanto ela assiste TV. Nenhuma criança deve ver TV mais que duas horas por dia.


Recomendações nutricionais diárias para lactentes e crianças menores de 2 anos.
Idade
Energia
Kcal/kg
Proteína
g
Ferro*
mg
Cálcio
mg
Vitamina A
mcgRE
Vitamina C
mg
6 - 8 meses
83
9.1
9.3
400
400
30
9 -11 meses
89
9.6
9.3
400
400
30
12 - 23 meses
86
10.9
5.8
500
400
30
Fonte: OMS/UNICEF 1998; OMS 2002.    *Considerando biodisponibilidade de 10%

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

Compreendendo o Passado - Planejando o Futuro

“Amamentar hoje é pensar no futuro”


Comemorando os 10 anos da Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância da OMS/UNICEF


A Semana Mundial do Aleitamento Materno – SMAM – comemora o seu vigésimo aniversário em 2012. Há vinte anos, a Aliança Mundial para Ação em Aleitamento Materno – WABA – iniciou a campanha da SMAM para reunir e facilitar ações que apóiem, promovam e protejam a amamentação. Desde então, a cada ano a SMAM vem destacando aspectos diversos da alimentação infantil.

Este ano, a SMAM 2012 concentra-se nos resultados alcançados com a “Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância”, que foi adotada pela OMS e UNICEF ha dez anos atrás. Implementar  a “Estratégia Global” é essencial para aumentar os índices de aleitamento materno; especialmente o aleitamento materno exclusivo durante os seis primeiros meses de vida da criança, e para alcançar o Objetivo do Desenvolvimento do Milênio 4 (ODM 4) que busca reduzir em dois terços a mortalidade infantil.

Objetivos da SMAM 2012:

1.      Fazer um balanço com os resultados e lições aprendidas sobre a alimentação infantil nos últimos 20 anos.
2.      Avaliar as ações contidas na Estratégia Global para a Alimentação de Lactentes e Crianças de Primeira Infância em todo o mundo.
3.      Comemorar os sucessos e resultados alcançados a nível nacional, regional e mundial; compartilhar o trabalho/ sucesso nacional com o mundo.
4.      Demandar ações para preencher os défices nas políticas e programas de lactação e alimentação de lactentes e crianças pequenas. 
5.      Atrair a atenção do público sobre as políticas e programas de lactação e alimentação de lactentes e crianças pequenas.
Material traduzido e adaptado por Regina Da Silva/ IBFAN Brasil – 22/07/2012.

Alimentação da criança - Anexo II – 5ª parte: Ganho de peso insuficiente

Bebês em aleitamento exclusivo, que estejam apresentando ganho de peso insuficiente (menos de 20g/dia), chorando muito e “parecendo” estar com fome é importante que o profissional de saúde levante várias hipóteses e investigue as possíveis situações, sendo as mais freqüentes:
·         A diminuição da descida do leite por ansiedade e baixa autoconfiança das mães.
·         A criança não está colocada corretamente no peito ou apresenta a pega inadequada e, portanto não está retirando leite suficientemente e não está esvaziando toda a mama.
·         Essas duas causas, se não forem corrigidas terminam por levar à diminuição da produção do leite.
·         A presença de agravos (febre, otite, refluxo e outros), diminuindo o apetite da criança e aumentando seus requerimentos por energia e nutrientes.
·         A oferta de chá e água (diminuem o poder de sucção do bebê).
·         A obstrução das vias aéreas superiores do bebê, dificultando a sucção (comum em crianças e em recém-nascidos cujas mães fizeram uso de reserpina para baixar a pressão durante o pré-natal).

Conduta:
·         A mãe ansiosa deve ser tranqüilizada com a informação de que a maioria das mulheres produz leite suficiente para o bebê e que têm capacidade para amamentar. Elas devem estar tranqüilas e sem pressa, na hora de oferecer o peito e sentadas ou recostadas comodamente. Devem ser orientadas a pedir auxílio ao companheiro ou familiares na ajuda das tarefas da casa ou com os outros filhos para que não se ponham tensas ou cansadas.
·         A observação da criança sugando serve para detectar a posição da criança colocada no peito e a pega da mama, permitindo orientar a mãe no caso de não estarem corretas.
·         A confirmação da menor produção de leite faz-se verificando as condições das mamas (que ficam mais flácidas) e diminuição da freqüência de esvaziamento urinário pelo bebê. Nesse caso:
a)      Orientar a mãe a colocar o bebê para sugar com mais freqüência, estimulando-o com leves toques no rosto, caso ele segure a mama sem sugar.
b)      Retirar totalmente a oferta de chá e água para o bebê e, principalmente, leites complementares.
c)      Orientar quanto ao esvaziamento total de cada mama. Para isso é necessário perguntar à mãe como está fazendo, pois, algumas vezes, ela responde afirmativamente à questão do esvaziamento e na verdade a forma como ela está conduzindo não permite que a criança sugue o leite do final da mama.
d)      Orientar para que a mãe fique atenta em relação a ingestão de líquidos (água tratada, filtrada ou fervida) de acordo com a sua necessidade ou seja “sede”. Sucos e chás são complementares.
·         Em casos de obstrução nasal, a criança não consegue sugar direito. Portanto, a orientação consiste na utilização de algumas gotinhas de soro nasal antes das mamadas.
·         Agendar retorno no máximo em uma semana para acompanhar o ganho de peso da criança.

Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.

Alimentação da criança - Anexo II – 4ª parte: Cólicas do bebê

Queixa comum nos primeiros três meses de vida, pois o organismo da criança esta sofrendo adaptações devido ao processo de maturação do intestino e de acordo com o horário e freqüência que o bebê apresenta a cólica, ela pode ser diferenciada em orgânica e emocional. Se a queixa refere-se a vários momentos do dia, geralmente vinte a trinta minutos após as mamadas, pode ser um problema relacionado a condição orgânica, sendo as mais comuns pega inadequada ou intervalos muito curtos de mamadas por insuficiência de esvaziamento adequado da mama. Nesse caso ocorre sobrecarga de lactose, aumentando a formação de gases e levando ao desconforto abdominal do lactente. Por outro lado, a condição emocional da mãe ou do ambiente (estresse) são fatores desencadeantes das cólicas nos bebês, que tendem a ocorrer em apenas um determinado período do dia, geralmente no final da tarde ou à noite.
É muito raro que a alimentação da mãe possa ser responsável pelas cólicas do bebê, as quais não podem ser confundidas com quadro alérgico à proteína do leite de vaca consumido pela mãe. Nesse caso as características clínicas são identificadas pelo pediatra.

Conduta:
·         Em caso de técnica de amamentação inadequada, corrigir a pega: barriga do bebê voltada para o corpo da mãe; lábios para fora como “peixinho”; a mãe deve ouvir ou perceber a criança deglutindo, e não sugando; a boca do bebê deve pegar o máximo possível da aréola e não apenas o mamilo; e o queixo do bebê deve encostar na mama da mãe.
O esvaziamento por completo da mama é fundamental para garantir que o bebê mantenha intervalos adequados entre as mamadas.
·         É muito comum a oferta de chás e mel quando a criança apresenta cólicas. Dessa forma, o profissional deve investigar se está ocorrendo essa prática. O oferecimento do chá cria um ciclo vicioso, pois provoca aerofagia agravando as cólicas. O uso de chás não é indicado, pois esses ocupam volume no estômago e o bebê suga menos o peito da mãe podendo levar ao desmame e prejudicar o crescimento. O mel pode ser passível de contaminação por esporos de Clostridium botulinum sendo desaconselhado para bebês com menos de 1 ano de idade.
·         Caso, a nutriz consuma EXCESSIVAS quantidades de alimentos como leite, queijo, iogurte, chocolate, café, ovo, chá preto ou mate e refrigerantes, pedir para diminuir a quantidade desses alimentos pelo período em que estiver amamentando.
·         A divulgação generalizada de que alimentos consumidos pela mãe podem “passar” para o leite ou fazer mal para o bebê pode criar insegurança e angústia, fazendo com que as mães tenham mais uma preocupação: com o que vai comer ou deixar de comer.
·         Acariciar o bebê, conversar com ele, colocar música suave pode aliviar a tensão, deixando-o mais calmo.
·         Massagear o abdome do bebê com uma das mãos pode ajudar a eliminar os gases. Orientar quanto aos exercícios das pernas, de forma que não haja riscos de comprometer as articulações.
·         Técnicas de Shantala e o banho de ofurô podem contribuir no alívio.

 Referência Bibliografica:
Saúde da Criança-Nutrição Infantil: Aleitamento Materno e Alimentação Complementar/Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Atenção Básica – Brasília 2009.